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Céus tormentosos

Tipos de Brisa em Meteorologia

  • andremmsgrades
  • 23 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Boa noite caros leitores, hoje venho falar-vos do conceito de Brisa e dos Tipos de Brisa mais conhecidos em Meteorologia. Muitos de vocês podem pensar que Brisa não é mais do que um vento mais fraco e fresco que sopra e ajuda a refrescar o ambiente. Na verdade, é bem mais do que isso.

Num contexto mais científico, a brisa é uma circulação de ar, que é organizada e que tem poder para afetar o clima de uma forma local. Geralmente, este tipo de circulações são produzidas em resposta à existência de diferenças de temperatura importantes, entre duas superfícies próximas.

O exemplo mais conhecido é o da Brisa Marítima. Esta brisa é mais notada durante o verão, quando a camada superficial do solo aquece mais devido à radiação solar. No oceano, a mesma radiação é absorvida, mas por uma camada muito profunda até cerca de 100 metros. O oceano possui uma grande capacidade calorífica, quer dizer que consegue reter uma grande quantidade de calor. O restante da radiação que não foi absorvida, é consumida em evaporação, pelo que a temperatura da superfície do oceano varia muito mais lentamente em comparação com a terra. A temperatura do ar sobre o continente irá ser mais alta do que sobre o oceano.

Nas zonas costeiras esta diferença de temperatura pode ser da ordem dos 10 ºC, em poucas dezenas de quilómetros. Vou falar sobre um exemplo que conheço: eu vivo em Alverca do Ribatejo e se for até à praia do Guincho, por exemplo, é frequente dizer que aqui em Alverca está calor, 30 e tal graus, e chegar ao Guincho e estar 25 graus ou menos. Depois esta diferença depende de vários fatores como a localização, as condições climatéricas entre outros.

Esta diferença de temperatura (denominada de gradiente), vai desencadear uma circulação direta (sentido dos ponteiros do relógio): o ar quente continental tenderá a

deslocar-se para cima em direção ao mar, enquanto o ar frio marítimo tenderá a deslocar-se para baixo em direção ao continente.

Brisa Marítima
Exemplo da brisa marítima: primeira imagem - antes da brisa; imagem do meio - início da brisa e imagem da direita - estado maduro da brisa

A figura acima mostra como o padrão de aquecimento terra/mar dá origem à circulação da brisa marítima. Na imagem da esquerda, considera-se uma situação em que não há qualquer contraste entre o ar continental e o ar marítimo e não há gradientes horizontais de pressão. Na imagem do meio, o solo começa a aquecer o que leva ao correspondente aquecimento do ar sobre o continente. O ar continental torna-se menos denso, pelo que a pressão vai decrescer mais lentamente com a altitude (observa-se que as linhas de igual pressão já não estão totalmente retas). Esta situação vai criar um gradiente horizontal de pressão, a uma certa distância do solo, que vai forçar uma circulação do continente para o oceano, em altitude.

Essa circulação implica a existência de uma corrente descendente sobre o oceano e de uma corrente ascendente sobre o continente cuja presença vai favorecer uma nova deformação das linhas de igual pressão (isóbaras) com a formação de uma alta pressão na baixa atmosfera oceânica e uma baixa pressão na baixa atmosfera continental. Na figura mais à direita, no estado maduro, é produzida uma circulação fechada (é visível pelas setas) com transporte de ar marítimo fresco do oceano para o continente junto da superfície e uma corrente de retorno em altitude. O gradiente de pressão tem sinais opostos junto da superfície e em altitude.


Durante a noite, acontece o cenário inverso do que foi descrito nos parágrafos anteriores. Durante a noite o solo arrefece rapidamente, tornando-se, por vezes, bastante mais frio que a superfície do oceano. Nessas condições, o mecanismo de brisa funciona em sentido inverso, produzindo uma corrente à superfície da terra para o mar, com retorno em altitude, designada por brisa terrestre. Como em todas as brisas, o ar que se desloca à superfície é

mais frio (mais denso) do que o ar que ele vem substituir. A circulação da brisa marítima/terrestre estende-se em geral a poucas dezenas de quilómetros da costa nas duas direções. Em condições favoráveis, no entanto, esta circulação pode assumir um carácter regional definindo o clima de grandes áreas do mundo.


Brisa Terrestre
Brisa Terrestre - Circulação contrária à da Brisa Marítima

Outros tipos de Brisa são a brisa de vale de montanha. A topografia pode dar origem a circulações de brisa, com inversão do sentido da circulação entre a situação diurna e noturna. Tal como no caso da brisa marítima/terrestre, a superfície do solo funciona como fonte de aquecimento (durante o dia) e de arrefecimento (durante a noite).

O que acontece é que, num dado nível, a atmosfera sobre o vale encontra-se longe do solo durante o dia. Na zona de montanha, nesse mesmo nível, a atmosfera está em contacto direto com a superfície, em que ocorrem trocas de calor.

Durante o dia, a montanha comporta-se como uma fonte de aquecimento, dando origem a uma circulação de ar mais fresco vinda do vale: a brisa de vale. Durante a noite, a montanha é uma fonte de arrefecimento, tendo lugar uma corrente de ar fresco da montanha para o vale, ao longo da encosta: a brisa de montanha.

Brisa Orográfica
Brisa orográfica: (a) brisa de vale, durante o dia; (b) brisa de montanha, durante a noite

Nesta figura, encontram-se representadas as linhas de igual pressão (isóbaras) e o sentido da circulação atmosférica (a partir das setas).

Espero que tenham ficado a aprender um pouco mais sobre o que é exatamente uma brisa e os tipos de brisa mais conhecidos. Também existir outros tipos de circulação mas que não são exatamente designadas como brisas, como perto de lagos, ou de grandes cidades em comparação com cidades menos povoadas.

Espero que continuem a acompanhar aqui o BLOG e que os posts. Um grande abraço para todos!


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