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Céus tormentosos

Impacto que as montanhas podem ter no clima de uma região

  • andremmsgrades
  • 4 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

Boa noite caros leitores, hoje trago-vos mais um tema que foi sugerido na caixa de perguntas que fiz no Instagram! Desta vez este post, será sobre o impacto que as montanhas podem ter no clima de uma determinada região, seja através da própria circulação de ar nas montanhas ou do seu efeito "barreira". Quem se lembra de num post anterior eu ter falado dos tipos de brisas? Eu, na altura, mencionei a brisa de montanha. Esta brisa ocorre durante a noite, e nessa altura, a montanha é uma fonte de arrefecimento, tendo lugar uma corrente de ar fresco da montanha para o vale, ao longo da encosta.


As montanhas tem, claramente, um grande efeito no clima de algumas regiões. Vamos pensar cá em Portugal, nas montanhas que temos por cá, como a Serra da Estrela. Uma relação direta que se estabelece é a seguinte: quanto maior for a altitude, a temperatura tende a ir diminuindo. Isso ocorre porque, nas altitudes mais elevadas, a pressão atmosférica é menor, o que faz com que o ar expanda e se torne mais frio. Dessa forma, as regiões montanhosas tendem a apresentar climas mais frios do que áreas que situam altitudes mais baixas.

Além disso, as montanhas também podem influenciar o padrão de ventos e a formação de nuvens. Muitas vezes ouvimos falar em avisos de vento forte para as terras altas. Nesse sentido, é importante falar num caso muito interessante de influência orográfica e que tem impacto no clima local é fornecido pelo chamado efeito de fohen, que se encontra ilustrado, na figura abaixo.

Explicação do efeito de fohen
Circulação na vizinhança de montanhas: (a) precipitação orográfica; (b) tempestade de vento na encosta, (c) região de fohen, (d) região de estagnação e turbulência na esteira da montanha; (e) ondas internas, (f) nuvens lenticulares devidas a "ondas de lee".

Se uma massa de ar húmido for obrigada a subir ao longo da encosta de uma montanha suficientemente elevada, pode atingir a saturação devido ao arrefecimento adiabático (descida de temperatura devido à mudança de pressão). Nesse caso há formação de nuvens orográficas que podem produzir precipitação (a). Na encosta a barlavento da montanha, observa-se a presença de ondas internas (e), que são ondas de gravidade que oscilam dentro de um meio fluido, ao invés da sua superfície. As ondas internas atmosféricas podem ser visualizadas por nuvens de onda: nas cristas das ondas, o ar aumenta e arrefece na pressão relativamente mais baixa, o que pode resultar em condensação do vapor de água se a humidade relativa for próxima de 100%.


Uma vez passado o cume da montanha, a massa de ar é empurrada para baixo, ao longo da segunda encosta, e é aquecida adiabaticamente. E dá-se também uma tempestade de vento na encosta da montanha, já no lado a sotavento (b). No processo de condensação o ar recebe calor latente de condensação. Se não tivesse ocorrido precipitação, esse mesmo calor latente seria consumido na evaporação das gotículas da nuvem no processo de descida. Mas, se ocorreu precipitação, parte do calor latente libertado na condensação permanece no ar e vai contribuir para uma diferença de temperatura entre pontos à mesma altitude dos dois lados da montanha. Assim, a encosta do lado de onde sopra o vento (barlavento) será fria e húmida, enquanto que a outra encosta (sotavento) será quente e seca. A região mais plana, logo a seguir à descida de ar da montanha, é denominada de região de fohen (c). E, em seguida, encontra-se a região de turbulência e estagnação na região de planalto da montanha (d). Na região do sotavento, formam-se nuvens lenticulares (f) que são formações de nuvens estacionárias, com aparência de lente, que se formam em altitude.

Nuvem lenticular
Nuvem Lenticular de baixa altitude próxima a Homer, Alasca. Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/User:Jake4d

As diferenças de temperatura entre as duas encostas podem ser superiores a 10 ºC. O efeito de fohen é muito importante em diversos pontos do mundo, em particular na Suíça onde ele justifica as temperaturas amenas observadas nos vales protegidos pelos Alpes. Em Portugal, o melhor exemplo encontra-se na Ilha da Madeira, onde se observa sistematicamente um tempo quente e seco na encosta Sul e condições muito mais frescas e húmidas na encosta Norte, devido ao vento do quadrante Norte que é dominante na região.

O efeito Fohen é o pior fator que contribui para um incêndio florestal. O vento forte, a baixa humidade e as altas temperaturas associadas aumentam a força das chamas.


Outro fator importante tem a ver com a orientação das encostas da montanha em relação ao sol tem um efeito profundo no clima. No hemisfério norte, as encostas voltadas para sul são mais ensolaradas e suportam comunidades ecológicas inteiramente diferentes do que as encostas voltadas para norte. O lado sul de uma montanha pode experimentar condições de primavera semanas ou mesmo meses à frente do seu lado norte, onde existem neve ou glaciares durante todo o ano, elas são nutridas pela sombra proporcionada pelas encostas viradas para norte e oeste. Em regiões montanhosas como os Alpes na Europa, aldeias inteiras podem não ter a presença do sol durante meses no inverno, apenas para emergir novamente na primavera. Nessas comunidades, é comum ter férias para marcar o reaparecimento do sol.


E assim termino este post relativo ao impacto das montanhas no clima de uma determinada região. Espero que tenham gostado e que continuem a acompanhar o BLOG.



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