Perigo de Incêndio Rural
- andremmsgrades
- 18 de ago. de 2025
- 4 min de leitura
Boa noite caros leitores, dado a situação que se vive no nosso país, iremos continuar a abordar alguns aspetos dentro do tema principal que são os incêndios. Infelizmente a área ardida, neste ano de 2025, já é superior a 172 mil hectares. O que quer dizer que já é um dos anos com maior área ardida no país, ficando apenas atrás do terrível ano de 2017, em que o incêndio de Pedrógão Grande queimou uma grande quantidade de floresta, na região centro. O tema de hoje é o que é que representa, e o que é que nos diz o Índice de Perigo de Incêndio Rural. Diariamente são emitidos pelo IPMA, mapas que mostram o perigo de incêndio rural em cada concelho do nosso país. Este índice de perigo pode ir desde reduzido (verde), moderado (amarelo), elevado (laranja), muito elevado (vermelho) e máximo (vermelho escuro). Vou colocar em baixo o mapa do perigo de incêndio rural, para o dia de hoje, 18 de agosto de 2025. Depois, vou também fazer uma análise para os próximos dias!

Conseguimos ver aqui que a maior parte das regiões do interior norte e centro, se encontra em risco muito elevado ou máximo de incêndio, tal como o algarve e algumas regiões do alentejo. É fácil de verificar que, nestes últimos dias, os incêndios mais graves tem-se verificado em locais com risco máximo de incêndio.
Agora importar explicar como é que este índice é calculado.
O perigo de incêndio rural é dado pelo Índice Conjuntural e Meteorológico (RCM), que é calculado diariamente e resulta da combinação de dois índices:
i) o "índice meteorológico de incêndio", atualizado uma vez por dia pelo IPMA e denominado FWI (Fire Weather Index);
ii) o "índice de perigosidade de incêndio rural" que integra uma componente estrutural de periodicidade decadal e uma componente conjuntural de periodicidade anual, que tem em consideração as áreas ardidas do último triénio, ambas da responsabilidade do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
A integração dos dois índices é realizada pela aplicação de uma matriz de ponderação. A aglutinação por unidade administrativa (Concelho e Distrito) é realizada pela ponderação dos valores mais altos do índice RCM, considerando o limiar de 20% das classes mais gravosas (percentil 80).
Claro que associado a estas categorias de risco reduzido até risco máximo de incêndio, existem algumas regras que já devem ter ouvido falar nas notícias mas que eu também irei explicar aqui, recorrendo a mais um exemplo.

Para cada concelho, aparece o mesmo que na imagem acima! Basta selecionarem o vosso concelho no mapa! Para além das informações relativas a perigo de incêndio propriamente dito, podem observar a temperatura máxima e mínima, as percentagens de humidade relativa, a intensidade e direção do vento e se vai ocorrer ou não precipitação. Todas estas variáveis meteorológicas são importantes para determinar como vai estar o índice de perigo de incêndio rural. Por baixo da roda com as cores respetivas para cada categoria de perigo, podem observar alguns ícones. Para o concelho de Trancoso hoje estavam proibidas (com o x e vermelho por baixo da roda): Queimada extensiva, Grelhador ou fogareiro, Foguetes e balões com mecha acesa, Fogueira para recreio e Fumigação ou desinfestação com fogo. Para além disso, mais do lado esquerdo, também está ilustrado que é necessário consultar as restrições ao uso de Queima de amontoados, Maquinaria e equipamento e uso de Máquinas florestais. Consoante o risco de incêndio for menor, algumas destas ações vão passar a ser totalmente permitidas ou permitidas mediante algumas regras!
E agora para terminar vou falar aqui da projeção do risco de incêndio rural para os próximos dias desta semana.


Escolhi colocar aqui duas imagens com o perigo de incêndio rural para quarta e sexta, respetivamente, dias 20 e 22 de agosto. Observa-se alguma diminuição dos concelhos que estão em risco máximo de incêndio, mas, principalmente, no interior norte e centro, a grande maioria dos concelhos mantém-se em risco muito elevado de incêndio rural, bem como alguns concelhos do algarve. Mas já se vê mais concelhos em níveis mais baixos de risco. No geral, são boas notícias para os bombeiros tendo em conta que a temperatura também vai descer bastante. O que pode preocupar será o vento, que vai manter-se forte do quadrante Norte e pode dificultar o combate aos incêndios que ainda se encontram ativos por esta altura! Por fim, relembrar que o verão ainda não acabou, por isso é possível que possa ocorrer outra vaga de calor em setembro, mesmo não sendo tão intensa, pode contribuir para que hajam mais incêndios novamente. Por agora, importa acabar os incêndios que ainda estão ativos e começar a fazer as contas aos prejuízos e contabilizar tudo aquilo que ardeu, neste país que todos os anos sofre do mesmo mal, e que infelizmente parece que não existe muita vontade para mudar alguma coisa....
Muito obrigado a todos os que continuam a acompanhar aqui o meu BLOG, um grande abraço para todos e mantenham-se em segurança!




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